
nesta direção. Todavia, não significa o fim da jornada. Yenduri et al. (2025) descrevem
que, para uma inteligência artificial atingir o nível de AGI, deve ter as seguintes capa-
cidades: Comunicação e Linguagem (Interação Física e Habilidades Motoras, Percepção
sensorial, Processamento de Linguagem Natural (NLP)), Habilidades Emocionais e Soci-
ais (Criatividade, Inteligência Social e Emocional) e Habilidades Cognitivas (Raciocínio
e Resolução de Problemas, Planejamento, Aprendizado e Adaptação, Representação de
Conhecimento, Consciência e autocosciência).
2.2. Aprendizado de Máquina
Dentro do vasto campo da IA, destaca-se o Aprendizado de Máquina (Machine Learning)
como o subcampo responsável pelos avanços mais significativos das últimas décadas. Di-
ferentemente da programação tradicional, onde as regras são explicitamente codificadas,
o Aprendizado de Máquina foca no desenvolvimento de algoritmos que melhoram seu de-
sempenho automaticamente através da experiência. A definição formal amplamente aceita
é dada por Mitchell (1997): diz-se que um programa de computador aprende a partir da
experiência E, em relação a uma classe de tarefas T e medida de desempenho P , se seu
desempenho em T , medido por P , melhora com a experiência E. Essa mudança de para-
digma permitiu a resolução de problemas complexos, como reconhecimento de padrões e
previsões estatísticas, que eram intratáveis via programação convencional.
A aplicação dessas tecnologias no cenário educacional introduz novos paradigmas
e desafios. A introdução de modelos generativos, uma vertente avançada do Machine Le-
arning (ML), exige uma reavaliação das práticas pedagógicas. A UNESCO (2023) destaca
que, embora a IA generativa ofereça oportunidades para personalizar o aprendizado, a im-
plementação requer diretrizes éticas rigorosas para garantir que a tecnologia aumente as
capacidades humanas em vez de substituí-las ou atrofiar o pensamento crítico. Observa-
se, portanto, uma tensão entre a eficiência oferecida pelos sistemas automatizados e a
necessidade de preservar a integridade cognitiva dos estudantes [Marr 2023; Gan et al.
2023].
O ML faz-se presente em diversos campos, como na indústria, durante o desen-
volvimento de gêmeos digitais [Fuller et al. 2020], visão computacional [Gallego et al.
2022], biologia computacional [Elnaggar et al. 2022], medicina, na detecção de doen-
ças [Tjoa e Guan 2021], condução autônoma [Yurtsever et al. 2020], internet das coisas
[Shafique et al. 2020], classificação de imagens [Amani et al. 2020] e na agricultura de
precisão utilizando da capacidade de classificação de imagens para detectar doenças e
plantas invasoras [Sharma et al. 2021].
Por mais que seja uma ferramenta importante para várias áreas, o processo de
Aprendizado de Máquina pode se deparar com algumas dificuldades. Pode ser possível
que os dados de treinamento não sejam suficientes, ou que o modelo não tenha o contexto
necessário para tarefas mais específicas [von Rueden et al. 2023], as decisões das máqui-
nas tendem a não ser bem compreendidas, devido ao modelo “caixa preta” do processo
de aprendizado [Tjoa e Guan 2021] e as empresas tendem a não ter uma estrutura sólida
para o lançamento de produtos, podendo tal problema ser resolvido pela implementação
de MLOps [Kreuzberger et al. 2023].
Apesar de toda a evolução e importância do Aprendizado de Máquina, ele não é
perfeito e enfrenta barreiras significativas que atrapalham seu uso no mundo real. Com